14 março 2007

sobre música e sobre outras coisas

algumas palavras e contextualizações sobre as mais recentes musiquinhas colocadas 'em linha', à v/ direita..

the beach boys, 'God only knows' - retirada do seminal 'pet sounds', está aqui por 2 razões. porque é A canção mais importante para um dos meus radialistas de referência. a matriz, por assim dizer, a partir da qual tudo o resto se ergue. é, portanto, uma homenagem, humilde e anónima, a quem me tem mostrado coisas bonitas, coisas íntimas, coisas por inteiro (mesmo se em pequeninas fracções). a segunda razão é porque serve de exemplo acabado do que é uma música que cresce a cada audição. podemos falar das camadas sonoras sobrepostas, do magnetismo quase metafísico das palavras (e, no entanto, tão eloquentemente terrenas), das harmonias vocais inigualadas, do psicadelismo à espreita. ou então podemos fechar os olhos, colocar esta música em repeat e pensar numa pessoa - nada fica como dantes, e mais não digo.

the rolling stones, 'you can't always have what you want' - não sou apreciador dos stones, muito menos dos stones pós-80 (the great circus is not my cup of tea). mas, bem lá para trás, há coisas muito boas. esta cançãozita é pungente. e diz-me muito - '.. but if you try sometime'. i try, i try.

nina simone, 'lilac wine' - uma canção supreendente desta grande senhora (dedicada ao luis, que ainda está a recuperar da audição de anteontem). o ritmo é estranhamente rápido, o arranjo e orquestração parecem eletrónica pura.. a canção é simplesmente linda. descobria-a com jeff buckley (faixa 4, do soberbo 'grace' - sei de cor), como tanta gente. a letra desta canção dispensa palavras.. de um lirismo arrebatador. comove-me sempre, sempre, sempre.

saint etienne, 'heart failed (in the back of a taxi)' - um grupo sub-valorizado. fazem pop cristalina e límpida como poucos mais. é uma banda de singles, de cançõezitas que crescem (a maior parte mingua, estas crescem). quantos de nós não sentiram isto, a solidão do coração a falhar, enquanto sózinhos vemos o mundo a passar lá fora, inclemente para com as nossas dores ? pois é, eles souberam cantá-lo..

the clash / lee scratch perry; new order / grant lee philipps; damien rice / ana carolina & seu jorge - 3 pares de canções originais e respectivas versões. apenas e só pela graça, vejam-se os resultados.. o punk-steady-rock dos clash ganha balanço de reggae e algum groove; a electricidade muito própria dos new order transmuta-se num som mais clássico e introspectivo, semi-acústico e semi-folk de grant lee philipps (belo disco de versões, de 2006!); a emoção delicodoce de damien rice ganha alguma coisa com a simplicidade da 'versão portuguesa'. como vêem, fazer um 'camaleão de imitação' (vide rádio radar) é coisa simples ;-).

dionne warwick, 'what the world needs now is love sweet love' - uma das faixas perfeitas desenhadas pela dupla burt bacharach (música) & hal david (letra). burt bacharach passou de esquecido (e conotado com música ligeira ou dita de elevador) a referência melódica incontornável, nos anos 90, para dezenas de músicos de nomeada. apetece lembrar a máxima 'o tempo, esse grande escultor'. entre as dezenas e dezenas de hits, seleccionei esta muito conhecida canção, a que recorro amiúde quando cores mais negras se instalam. porque do que o mundo precisa é de amor, doce e terno amor.. e nós todos também.

air, 'you make it easy' - não sendo um fã dos air, gosto, ainda assim, do seu omnipresente bom-gosto e, muito, de uma ou outra coisita. desta - retirada do primeiro álbum - sempre gostei muito. e eles sabem que eu sei que eles sabem que eu sei do que é eles estão a falar..

bons sonhos!