28 dezembro 2010


na década de sessenta, mais de vinte anos passados, desde o final da segunda guerra mundial, e em concreto da guerra do pacífico, foram encontrados alguns soldados japoneses perdidos, totalmente isolados do mundo em ilhotas inóspitas, vivendo ainda como se o imperial japão estivesse em plena guerra, dispostos a lutar por um país e por uma ideia aniquilados de forma brutal, por criminosas bombas atómicas, muitos anos antes.

homens sózinhos, com uma fé inquebrável, que lutavam por um ideal - justo ou simplesmente insano, ainda assim um ideal.

quando encontro homens assim, reconheço-me. tantos anos passados, tantas vidas vividas, tantas derrotas que aniquilariam impérios inteiros, e ainda resta alguma dignidade, alguma honra, alguma fé. como se por entre um uniforme disforme, sujo, rasgado, maculado, brilhassem ainda as insígnias do jovem e galante cadete que um dia fui.

"ah, homem - mesmo na sarjeta, sempre a olhar as estrelas!" - disse um dia oscar wilde.

1 Comments:

Blogger JB said...

Sabe, essas insígnias que brilham entre a disformidade e a mácula são, muitas vezes, a luz que nos indica o caminho da salvação. Por mais estranho que possa parecer, as condecorações podem ser um ponto de partida, não de chegada. Que é como quem diz "urge et ambula".

quarta-feira, dezembro 29, 2010 11:09:00 da manhã  

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